De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, 2023), estima-se que foram coletados, no ano de 2021, 65,6 milhões de toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), sendo 73 % destinados adequadamente (aterro sanitário e outros), o restante vão para aterro controlado e para lixões. Deste total de resíduos, 45 % dos RSU referem-se à Fração Orgânica, estima-se que foram encaminhados para aterro cerca de 29,5 milhões de toneladas deste resíduo no Brasil aos quais são responsáveis pela geração de efluentes e de emissões atmosféricas e quando não captados são liberados para o ambiente, causado impactos ambientais.

Dentro deste contexto, a Plataforma 2 visa mitigar os impactos ambientais da fração orgânica de resíduos, propondo dois eixos de projetos: um voltado a redução do desperdício de resíduos de frutas com a extração de compostos nutricionais para fins alimentícios e o segundo voltado a reciclagem para outros fins com recuperação de energia. No eixo 1 dois projetos estão sendo executados em parceria com a USP voltados ao aproveitamento de resíduos de frutas para design de produtos bioenriquecidos com vitaminas e pectinas desenvolvendo um produto lácteo fermentado, estimando o efeito do produto desenvolvido na redução das deficiências vitamínicas estudadas e no eixo 2 um projeto que propõe uma rota de tratamento anaeróbio de restos alimentares provenientes de grandes geradores, visando a recuperação energética, assim como a aplicação do material tratado na forma de biofertilizante.

O tratamento anaeróbio dos resíduos será realizado em uma planta de biodigestão instalada no município de Bertioga, constituída por túneis de metanização em sistema de tratamento por batelada, via extra-seca, com capacidade de tratamento de 40 a 70 t/mês e geração mensal em torno de 4.800 Nm³ de biogás com conversão do metano em energia. A partir dos resultados, serão realizados estudos do potencial energético do processo, assim como da viabilidade técnico-econômica da aplicação deste tipo de tratamento pela municipalidade, e do potencial de redução de massa de resíduos destinados ao aterro.

Equipe da Plataforma 2.