As iniciativas para economia circular já estão presente em pesquisas, políticas públicas e estratégias empresariais. Mas transformar conceitos em mudanças concretas ainda exige responder a algumas perguntas, como:

  • Quem é responsável pelos resíduos depois do consumo? 
  • Como preservar o valor dos materiais ao longo das cadeias? 
  • Como fazer com que soluções que funcionam em projetos específicos possam ganhar escala?

Discutir essas questões é parte do caminho para colocar a economia circular em prática. Foi com esse propósito que o CCD Circula, em parceria com o FGVin e o FGV Earth, realizou, no dia 24 de agosto de 2026, o II Seminário Inovação para Economia Circular em Organizações e Cadeias.

O evento contou com cerca de 90 profissionais, entre pesquisadores de universidades e representantes de empresas, cooperativas e do poder público. Nesse texto você vai ficar sabendo os principais pontos discutidos.

Os desafios da economia circular na prática

Com o objetivo de aproximar os diferentes atores presentes no evento, os pesquisadores da Plataforma 1 do CCD Circula, se distribuíram entre os painéis e palestras para apresentar seus trabalhos e coordenar as discussões. 

As conversas tiveram como foco três dimensões diretamente relacionadas à transição para a economia circular: inclusão socioprodutiva, indicadores e práticas organizacionais.

Economia circular não depende apenas de tecnologia

O painel de abertura contou com Eloísa Helena, pesquisadora responsável pelo CCD Circula, José Antonio Puppim, coordenador do FGV Earth, e Susana Pereira, coordenadora da Plataforma I do CCD Circula.

Nesse painel, foi possível conhecer um pouco mais sobre os projetos, a importância da conexão entre as instituições e o modelo de pesquisa aplicada proposto pelos Centros de Ciência para o Desenvolvimento da FAPESP. 

O painel contou com a palestra “Economia Circular e Governança das Mudanças Ambientais: conectando ciência, inovação e impacto”, conduzida por Susana Pereira, que partiu de uma questão central: muitas das soluções tecnológicas necessárias para avançar na circularidade já existem. O desafio está em criar as condições para que elas sejam implementadas, conectadas e ampliadas. 

O que nos leva ao ponto: a economia circular precisa ser entendida como um desafio de governança, que envolve a articulação entre diferentes atores, o desenvolvimento de capacidades e a transformação das práticas e cadeias produtivas. 

 

 

Inclusão socioprodutiva também é parte da circularidade

No painel “Inclusão socioprodutiva, governança e inovação para a Economia Circular”, a moderadora Luciana Betiol (CCD Circula) trouxe uma dimensão que nem sempre recebe a mesma atenção que a tecnologia e a reciclagem: quem participa das cadeias circulares e como o valor gerado por elas é distribuído.

A partir dessa perspectiva, Talita Veiga, da Diretoria de Resíduos Sólidos da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), falou sobre como as políticas públicas precisam considerar as características e as necessidades de cada território. 

Afinal, estruturar cadeias circulares depende não apenas da existência de soluções, mas também de articulação entre os diferentes atores envolvidos.

Nesse sentido, Sônia Martinez, da Cooperativa Coopcasa, apresentou a necessidade de encontrar modelos capazes de incluir catadores que trabalham de forma autônoma. Cristina Sartoretto (CCD Circula), por sua vez, reforçou a importância de que as estratégias de inclusão considerem essa diversidade de perfis.

 

Indicadores precisam mostrar o que acontece na prática

Com a moderação de Michel Xocaira (CCD Circula), o segundo painel, “Indicadores, práticas organizacionais e transformação das cadeias produtivas”, apresentou outro desafio: como saber se uma organização está realmente avançando em circularidade?

Os painelistas Gabriela Gama, da Braskem, Neyliane Maranhão, do CCD Circula, e Carlos Rossin, do Instituto Valoriza Resíduos, trouxeram pontos como

  • A necessidade de desenvolver indicadores capazes de refletir as práticas de circularidade; 
  • A importância de compreender as condições que permitem essas práticas e;
  • Os diferentes fatores que influenciam a permanência dos materiais em circulação.

Nesse contexto, medir a circularidade não significa apenas contabilizar quanto foi reciclado. É preciso entender o que está retornando aos ciclos produtivos, como isso acontece e quais condições tornam esse processo possível.

Afinal, mais do que medir resultados isolados, os indicadores precisam ajudar a compreender se as práticas estão, de fato, contribuindo para a circularidade.

 

O próximo passo é conectar e ampliar as iniciativas

As discussões do seminário apontam para um desafio que aparece em diferentes frentes: como passar de iniciativas isoladas para sistemas capazes de funcionar em escala.

Para o CCD Circula, produzir conhecimento aplicado significa também criar pontes entre pesquisa, organizações, governo e sociedade para que esse conhecimento possa contribuir para mudanças concretas.

Continue acompanhando o CCD Circula para conhecer novos resultados, pesquisas e iniciativas que buscam transformar a relação com os resíduos e contribuir para uma economia mais circular.