O CCD Circula, um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) da Fapesp, promoveu o seminário “Desafios da Economia Circular: Segurança da Reciclagem Pós-consumo e do Reúso de Embalagens para Contato com Alimentos e Cosméticos”. O evento reuniu especialistas da indústria, da academia e de órgãos reguladores para discutir os caminhos para uma economia mais sustentável e segura no Brasil.

Repensar as cadeias para a Economia Circular 

Marcos Iorio, vice-diretor do CCD Circula, abriu o evento com um panorama sobre a urgência da transição para a economia circular. Ele destacou que o Brasil possui cerca de 3 mil lixões a céu aberto e que, apesar dos avanços, apenas uma fração do PET reciclado retorna como embalagem de grau alimentício, o que evidencia a necessidade de repensar as cadeias produtivas.

Iorio também apresentou dados que mostram a complexidade do cenário: enquanto o Brasil recicla 46% do PET, apenas um quarto desse material volta a ser garrafa. Ele ressaltou o papel crucial dos cerca de 2 milhões de catadores no país, que são a base da cadeia de coleta, e a necessidade de políticas que incentivem a circularidade, como o decreto que estabelece metas de conteúdo reciclado.

Avanços nas tecnologias de reciclagem

Na sequência, Andrés Grunewald, da empresa alemã Gneuss Kunststofftechnik GmbH, apresentou tecnologias de reciclagem mecânica, como o sistema OMNI, que permite a descontaminação de plásticos pós-consumo. Essa tecnologia já possui certificações na América Latina para a produção de embalagens de grau alimentício, mostrando que a solução para o reaproveitamento seguro de materiais já existe.

Grunewald explicou que a tecnologia OMNI utiliza um processo de múltiplas roscas e alto vácuo para extrair contaminantes, garantindo a segurança do material final. A flexibilidade do sistema, que processa diferentes tipos de plástico como PET, PP e PS na mesma linha, representa uma vantagem significativa para a indústria, permitindo a adaptação a diferentes demandas e fontes de matéria-prima.

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Segurança de embalagens pós-consumo para contato com alimentos

Patrícia Fernandes Nantes de Castilho, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), abordou o cenário regulatório, explicando que o tema da reciclagem de embalagens está na agenda da agência. Atualmente, apenas o PET-PCR é permitido para contato com alimentos, mas processos para outros polímeros, como poliestireno e polietileno, já estão em análise, sinalizando um avanço gradual.

Ela detalhou que o caminho para a aprovação de novas tecnologias envolve uma Análise de Impacto Regulatório (AIR), consultas públicas e negociações no âmbito do Mercosul. A Patrícia também mencionou os desafios operacionais da agência, como a capacidade técnica limitada para análise de um grande volume de processos, mas reforçou o compromisso em avançar com a pauta.

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Reuso de embalagem: uma das estratégias da economia circular

Encerrando o seminário, Marisa Padula, coordenadora da Plataforma 4 do CCD Circula, discutiu o reúso de embalagens, outra estratégia fundamental da economia circular. Ela apresentou as consultas públicas da Anvisa sobre o tema e ressaltou a importância de se definir critérios claros para a limpeza, rastreabilidade e número máximo de ciclos de reutilização das embalagens.

Padula citou exemplos já existentes no mercado, como as garrafas retornáveis de bebidas e os garrafões de água, que seguem regulamentações específicas. Ela enfatizou que, para ser ambientalmente vantajoso, o sistema de reúso precisa de uma logística reversa eficiente e de uma Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) que comprove seus benefícios em relação às embalagens de uso único.

Eventos como este, promovidos pelo CCD Circula, são fundamentais para fortalecer a rede de transformação e construir, de forma colaborativa, um futuro mais sustentável e circular para o Brasil. 

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