
Quando se fala em pesquisa científica no Brasil, muita gente ainda imagina laboratórios isolados, artigos acadêmicos distantes da realidade e resultados que demoram a chegar à sociedade. Essa percepção, embora comum, não representa toda a ciência que é produzida no país.
Um exemplo são os Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), um programa criado pela FAPESP que tem como premissa solucionar desafios complexos como gestão de resíduos, mudanças climáticas, uso de recursos naturais, produção de alimentos, formulação de políticas públicas entre outras questões da sociedade moderna.
Mas o que são os CCDs?
Quando se fala em pesquisa científica no Brasil, muita gente ainda imagina laboratórios isolados, artigos acadêmicos distantes da realidade e resultados que demoram a chegar à sociedade. Essa percepção, embora comum, não representa toda a ciência que é produzida no país.
Um exemplo são os Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), um programa criado pela FAPESP que tem como premissa solucionar desafios complexos como gestão de resíduos, mudanças climáticas, uso de recursos naturais, produção de alimentos, formulação de políticas públicas entre outras questões da sociedade moderna.
CCD Circula: um Centro de Ciência para o Desenvolvimento voltado aos resíduos pós-consumo: Embalagens e Produtos
Quando se fala em pesquisa científica no Brasil, muita gente ainda imagina laboratórios isolados, artigos acadêmicos distantes da realidade e resultados que demoram a chegar à sociedade. Essa percepção, embora comum, não representa toda a ciência que é produzida no país.
Um exemplo são os Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), um programa criado pela FAPESP que tem como premissa solucionar desafios complexos como gestão de resíduos, mudanças climáticas, uso de recursos naturais, produção de alimentos, formulação de políticas públicas entre outras questões da sociedade moderna.
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Conheça as pesquisas do CCD Circula
Para lidar com a complexidade da economia circular e dos resíduos pós-consumo, o CCD Circula está organizado em cinco plataformas de pesquisa. Cada uma aborda uma dimensão específica do problema, mas todas compartilham o mesmo objetivo geral – enfrentar os desafios associados a resíduos pós consumo.
A plataforma I é voltada a gestão e inovação para a economia circular nas organizações e cadeias. Os pesquisadores investigam como empresas, cooperativas e outros atores podem reorganizar suas práticas para incorporar a circularidade. Essa frente tem mostrado que a transição depende tanto de governança, colaboração e inclusão social quanto de tecnologia.
“A análise das práticas organizacionais e de inovação no setor público, em empresas e em suas cadeias de valor, articulada a projetos de inclusão socioeconômica de catadores e ao desenvolvimento de indicadores de circularidade, permitirá à Plataforma I gerar evidências empíricas e recomendações qualificadas. Esses resultados contribuirão para a avaliação de práticas existentes e para a formulação de políticas públicas e ações estruturantes voltadas à gestão de resíduos e à economia circular” Dra. Susana C. F. Pereira – Coordenadora da Plataforma I.
A plataforma II trabalha com mitigação do impacto de resíduos orgânicos, buscando soluções para reaproveitar resíduos de alimentos e outros materiais orgânicos, reduzindo impactos ambientais e explorando seu potencial de valorização.
“As pesquisas da Plataforma II procuram estabelecer rotas tecnológicas para valorização de resíduos de frutas com foco no desenvolvimento de ingredientes de alto valor agregado e alimentos funcionais, além de avaliar o tratamento anaeróbio de resíduos orgânicos pós-consumo visando a viabilidade técnica e econômica do uso de biogás e biofertilizantes.” Dra. Claudia E. Teixeira – coordenadora da plataforma II.
A plataforma III trata sobre o design, materiais e tecnologias inovadoras buscando desenvolver soluções que já nasçam compatíveis com os princípios da economia circular, considerando desempenho, segurança e viabilidade técnica.
“Com relação à plataforma III, as pesquisas têm resultado na melhoria das propriedades de materiais de embalagem, com avanços no uso de fontes renováveis e no desenvolvimento de estruturas com maiores potenciais de reciclagem, gerando subsídios para a melhoria do design, da logística e da reciclabilidade de embalagens,incluindo estudos aplicados sobre os seus desempenhos em sistemas públicos como a alimentação escolar.” Me. Gustavo H. Moraes – coordenador da plataforma III.
Os pesquisadores da plataforma IV estão desenvolvendo tecnologias de reuso e reciclagem para solucionar desafios técnicos e regulatórios relacionados à reciclagem de materiais, com atenção especial à segurança e à qualidade dos produtos reciclados.
“As pesquisas da Plataforma IV geram dados sobre a composição química e a segurança de materiais reciclados para contato com alimentos, cosméticos e produtos de higiene pessoal que irão embasar as melhorias das legislações atuais e avaliam a reciclabilidade de embalagens celulósicas com diferentes revestimentos inovadores.” Dra. Marisa Padula – coordenadora da plataforma IV.
Por fim, a plataforma V, que trabalha com educação e cultura para a economia circular, reconhece que a transição não acontece apenas com novas tecnologias, mas também com mudanças de comportamento, percepção e formação de novos valores na sociedade.
“As pesquisas da Plataforma V produzem evidências sobre conhecimento, comportamento, percepção e tomada de decisão da sociedade em relação aos resíduos e à economia circular, gerando subsídios para o desenvolvimento de materiais educativos, jogos e estratégias de conscientização voltadas a diferentes públicos – desde crianças e suas famílias até consumidores -, contribuindo para a promoção da educação e da cultura voltadas à economia circular.” Profa. Dra. Vivian Lara dos Santos Silva – coordenadora da plataforma V
Dessa forma, o CCD Circula atua desenvolvendo pesquisas que ajudam a entender como a economia circular pode ser implementada de forma segura, eficiente e socialmente justa no contexto brasileiro.
Por que projetos como o CCD Circula são importantes?
Os desafios enfrentados atualmente pela sociedade são complexos e interligados. Questões como resíduos pós-consumo, uso de recursos naturais, impacto ambiental, produção de alimentos, energia renovável e inclusão social não podem ser resolvidas por uma única área do conhecimento ou por um único setor.
Projetos como o CCD Circula reconhecem essa complexidade e trabalham de forma integrada. Eles combinam ciência, inovação, gestão, políticas públicas e aspectos sociais para construir soluções mais completas e duradouras. Isso é especialmente relevante no contexto brasileiro, onde desafios estruturais exigem respostas adaptadas à realidade local.
Além disso, esse tipo de projeto contribui para fortalecer a pesquisa nacional, mostrando que o Brasil tem capacidade científica para desenvolver soluções próprias, alinhadas às suas necessidades e potencialidades.
No vídeo abaixo a Dra. Eloísa Garcia, Diretora Geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e pesquisadora responsável pelo CCD Circula fala um pouco sobre o projeto:
Centros de Ciência para o Desenvolvimento como ponte entre pesquisa e solução
Um dos diferenciais do CCD Circula é o foco em ciência aplicada. Isso não significa abrir mão da pesquisa fundamental, mas sim direcionar o conhecimento produzido para a resolução de problemas reais. A ciência fornece dados, métodos e evidências que orientam decisões mais responsáveis e eficazes.
No contexto da economia circular, esse papel é ainda mais relevante. Avaliar riscos, desenvolver normas técnicas, propor políticas públicas e validar soluções exige base científica sólida. Sem isso, iniciativas bem-intencionadas podem gerar efeitos indesejados ou não alcançar os resultados esperados.
O CCD Circula contribui justamente para reduzir esse risco, oferecendo conhecimento e tecnologias confiáveis que apoiam empresas, gestores públicos e a sociedade na construção de soluções mais sustentáveis.
O futuro da pesquisa brasileira passa pelos Centros de Ciência para o Desenvolvimento
Os Centros de Ciência para o Desenvolvimento mostram que é possível organizar a pesquisa científica de forma mais conectada aos desafios da sociedade. Ao aproximar instituições públicas, empresas e governo, esse modelo cria condições para transformar conhecimento em impacto positivo.
O CCD Circula exemplifica como a pesquisa brasileira pode contribuir para enfrentar temas estratégicos, como os resíduos pós-consumo e a economia circular, de maneira integrada e baseada em ciência.
Acompanhar, compreender e contribuir com esse tipo de iniciativa é uma oportunidade para quem busca entender o papel da pesquisa nacional na construção de soluções para o presente e para o futuro.
Principais referências
FAPESP. Centros de Ciência para o Desenvolvimento. Disponível em: https://ccd.fapesp.br/. Acesso: janeiro de 2016.
CCD-Circula. Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Soluções para os Resíduos Pós-Consumo: Embalagens e Produtos. Disponível em: https://ccdcircula.org.br/. Acesso: janeiro de 2016.
